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Os primeiros passos de um terapeuta iniciante
Os primeiros passos de um terapeuta iniciante
Os primeiros passos de um terapeuta iniciante
Psicóloga Amona Lima
Coordenadora de cursos Atitude Cursos
 
       Iniciar os atendimentos clínicos em psicologia é, para grande parte dos recém-formados, um momento de muita ansiedade e expectativa. Embora o curso de formação ensine sobre a profissão e sobre todo o conteúdo teórico que abrange o “tornar-se” um profissional da psicologia, nota-se que a preocupação com os primeiros atendimentos émuito grande e gera muitos questionamentos, porque atender vai além do que aprendemos enquanto arcabouço teórico e da terapia em si, demanda comportamentos que não são ensinados na faculdade e na maioria das vezes antecedem o processo terapêutico e começa na sala de espera.
       Muitos dos nossos comportamentos em primeira sessão vão determinar se o cliente vai dar continuidade na terapia. Alguns autores enfatizam que o objetivo da primeira sessão é fazer com que o cliente volte na segunda, portanto a maneira de conduzir esse primeiro encontro desde o momento em que você recebe a ligação do cliente ou o recebe na recepção é algo de grande importância para um processo terapêutico de sucesso.  E como saber o que precisa ser feito para que isso ocorra? As perguntas e dúvidas são muitas quando se trata da primeira vez. Perguntas como: O que devo vestir? Como devo me referir ao cliente? Devo abraçar, pegar na mão ou nenhuma das opções!? Devo fazer perguntas ou deixá-lo falar? E por aí vai.
Muitos terapeutas iniciantes podem ficar sob controle do que é aprendido na faculdade e perder a naturalidade que existe em seu comportamento. No curso de psicologia aprendemos um protocolo a ser seguido, mas a realidade não é tão simples assim. Nos deparamos com pessoas muito diferentes, comvalores, posições contrarias, inclusive, das nossas, o que faz com que no início não saibamos como nos comportar em muitas situações.  Ao pensar comoum analista do comportamento, teremos claro que a exposiçãoasnovas contingências vão fazer com que esses comportamentos sejam modeladosà medida que a exposição aconteça, o que de fato não evita a grande expectativa gerada e a ansiedade sentida nos primeiros atendimentos, mas traz um conforto maior ao iniciante analista do comportamento que, ao entender que isso também faz parte do processo e que com o passar dos atendimentos o desconforto diminui e a segurança em atender aumenta.Mas existem muitos comportamentos que podem sim ajudar quando se tem conhecimento, por isso conteúdos falando da prática de ser psicólogo, de comportamentos necessários e até mesmo como gerir uma carreira são importantes comoparte do conteúdo programático dos cursos superiores.
       Percebe-se assim que a forma como o terapeuta recebe o cliente, como se comporta diante do relato da queixa, como se veste, o tom que fala, o quanto acolhe o cliente e sua demanda, provavelmente são características observadas pelo cliente ao chegar no consultório para uma sessão psicoterápica. Alguns cuidados quanto a sua apresentação e a forma como interage com o cliente devem expressar segurança, atenção, disponibilidade, cordialidade e competência (Otero, 2012).
       De acordo com Silveira (2012), o modo como o cliente percebe o profissional é preditor de sua adesão ao tratamento, o que significa que algo no terapeuta se torna reforçador para que o cliente queira retornar na sessão seguinte. E esse “algo” pode ser o tom da voz, a segurança que é passada ao cliente sobre seus conhecimentos, a forma como se veste, se é parecido com alguém por quem sente carinho ou tem algum outro sentimento etc. Não sabemos quais critérios cada cliente utiliza, mas sabemos que é algum estímulo discriminativo presente no terapeuta e no ambiente clinico que reforça o comportamento de continuar o tratamento.
       Podemos dizer que o comportamento de prestar atenção na fala do cliente, ser audiência não punitiva e ser criativo são características imprescindíveis para se tornar um psicólogo clínico, como também é necessário desenvolver um repertório especial e específico para isso. Essa formação pode ultrapassar todos os muros da graduação e pós-graduação. Só aqueles que se aventuram nessa experiência poderão ter uma real compreensão do que se trata esse processo.
       Ressalta-se que ter uma formação teórica é de grande importância, mas além disso é fundamental saber dar continuidade ao processo. Portanto, saber coletar os dados, fazer análise funcional, retomar sessões difíceis, bloquear esquivas dos clientes, lidar com clientes difíceis, aplicar com conhecimento técnicas, recursos e teoria, saber momentos de fazer intervenções mais precisas, são habilidades que serão aprendidas com o desenrolar das sessões e da vida profissional do terapeuta, ou seja,com a experiência da prática. E para isso, a busca por supervisão clínica, assim como se capacitar continuamente faz parte do tornar-se psicólogo e isso acontece a partir do momento em que criamos ocasião para que tudo isso ocorra. Portanto, nada como dar os primeiros passos e adquirir experiência!
 
 
 
 
 
 
Referências bibliográficas
 
Otero, V. R. L. (2012). Considerações sobre valores pessoais e a pratica do psicólogo clinico. Em: Borges, N. B. & Cassas, F. A. (2012) Clinica analítico comportamental: aspectos teóricos e práticos. Porto Alegre: Artmed

Silveira, J. M. (2012) A Apresentação do clinico, o contrato e a estrutura dos encontros iniciais na clínica analítico comportamental. Em: Borges, N. B. & Cassas, F. A. (2012) Clinica analítico comportamental: aspectos teóricos e práticos. Porto Alegre: Artmed

Skinner (1953/1981). Ciência e comportamento humano. São Paulo: Martins Fontes
 
 
 
 
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