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SUPERAC • Referência em Análise do Comportamento
Terapia comportamental: A terceira onda
Terapia comportamental: A terceira onda
Taís Calheiros
CRP: 08/19715
Mestra em Análise do Comportamento - UEL
Formação em ACT e FAP - Instituto Continuum


A Análise do Comportamento passou por diferentes etapas no seu processo de crescimento e consolidação frente à proposta de desenvolver uma análise científica do comportamento humano, a partir de uma perspectiva controladora e preditiva (Skinner, 2003/1953). Esse processo histórico é composto por três fases que correspondem à 1ª, 2ª e 3ª geração da Análise Clínica Comportamental. A 1ª geração refere-se ao campo da Modificação de Comportamento, o qual apresenta “(...) duas tradições ou orientações principais: uma que enfatiza o condicionamento operante e uma que enfatiza o condicionamento respondente” (Martin & Pear, 2013, p. 455). Nessa geração, os autores demonstraram que determinados princípios básicos (reforço, punição e extinção) afetam o comportamento humano de maneiras previsíveis, com aplicações em casos humanos, nos quais o uso “(...) de um programa comportamental poderia gerar uma mudança comportamental desejada” (Martin & Pear, 2013, p. 456). Contudo, tal trabalho inicial apresentava duas características: a população atendida referia-se a pessoas muito “resistentes” (crianças com autismo, pessoas com déficits de desenvolvimento e pacientes psiquiátricos), com as quais não se tinha obtido resultados satisfatórios por meio da Psicologia tradicional; e muitas intervenções foram conduzidas em ambientes altamente controlados ou institucionais. Sendo assim, o forte controle ambiental era uma característica marcante dos procedimentos e técnicas de tratamento, cujo enfoque situava-se na alteração de repertórios específicos (Martin & Pear, 2013), fundamentados no Behaviorismo Metodológico (Conte, 2012). Ao mesmo tempo, a proposta da análise funcional do comportamento já é estabelecida desde os primórdios dessa abordagem, cujo objetivo consiste em descobrir as variáveis independentes das quais o comportamento (variável dependente) é função (Skinner, 2003/1953). As causas do comportamento, portanto, são “(...) as causas ambientais e não as causas internas hipotéticas sobre as quais se especula, com frequência, nas abordagens não comportamentais” (Martin & Pear, 2013, p. 461). Na 2ª geração, a Terapia Analítico-Comportamental (TAC) surgiu, especialmente no Brasil, com conceitos diferenciados e processos comportamentais mais flexíveis, com ênfase no uso de pressupostos filosóficos, conceituais e metodológicos do Behaviorismo Radical. As avaliações passaram a ser realizadas de forma mais individualizada, levando em consideração classes comportamentais mais amplas e complexas. O sucesso da intervenção passou a ser definido pela melhora no funcionamento global do indivíduo, incluindo a mudança no comportamento-alvo (Conte, 2012). Houve a inserção gradual dos conhecimentos sobre o comportamento verbal e o paradigma da equivalência de estímulos nas análises, possibilitando a compreensão de classes e cadeias comportamentais com elos verbais e não verbais, abertos e encobertos (Conte, 2012). Na 3ª geração, a Psicoterapia Analítica Funcional (FAP), a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) e ambas (FACT) agregaram os conceitos de responder relacional arbitrariamente aplicável (RRAA), esquiva experiencial, atenção plena (Mindfulness), ação comprometida com valores, bem como a relação terapêutica como instrumento de mudança ao arcabouço da área.


Referências

Conte, F. C. de S. (2012). Comparação entre as características das terapias de 1ª geração, 2ª geração e 3ª geração da Análise Clínica Comportamental. Recuperado de http://www.institutocontinuum.com.br/cursos.html

Martin, G., & Pear, J. (2013). Modificação de comportamento: O que é e como fazer? (N. C. de Aguirre & H. J. Guilhardi, Trad.). São Paulo: Roca. (Obra original publicada em 1941).

Skinner, B. F. (2003). Ciência e comportamento humano (J. C. Todorov & R. Azzi, Trad.). São Paulo: Martins Fontes. (Obra original publicada em 1953).

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